Ceará tem a melhor pré-estação chuvosa dos últimos 11 anos

Foto: Fabiane de Paula

A pré-estação chuvosa (dezembro-janeiro), no Ceará, chegou ao fim ontem (31) com uma expressiva marca obtida: o volume pluviométrico registrado no bimestre foi o maior desde 2011.

Segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), entre dezembro e janeiro choveu o acumulado de 215,6 milímetros, divididos em 167,5 mm no mês passado e, 48,1mm em dezembro de 2021.

Para dezembro, a média é de 31,6 mm, ou seja, choveu 52,2% acima do normal. E, em janeiro, a média histórica é de 98,7 mm, portanto, o mês encerrou com chuvas 69,7% além da normal climatológica.

O município que registrou o melhor índice nesta pré-estação foi Iguatu, na região Centro-sul do Estado, com 521 milímetros. Em dezembro do ano passado, dez cidades (Meruoca, Cedro, Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha, Aurora, Missão Velha, Barro, Milagres e Porteiras) registraram acumulado acima dos 200 mm.

Já em janeiro, 63 cidades tiveram índice acumulado de chuva acima da marca dos 200 milímetros, sendo Hidrolândia, o único município que ultrapassou os 400 milímetros, chegando a 401mm.

Viçosa do Ceará, Meruoca, Ibiapina, Ubajara, Frecheirinha, Mucambo, Cariré, Reriutaba, Pires Ferreira, Hidrolândia, Nova Russas, Ararendá, Ipaporanga, Crateús, Novo Oriente, Itapipoca, Trairi, Paraipaba, Umirim, Paracuru, Maranguape, Palmácia, Pacoti, Baturité, Aratuba, Capistrano, Cascavel, Chorozinho, Horizonte, Acarape, Redenção, Pacatuba, Maracanaú, Eusébio, São João do Jaguaribe, Acopiara, Nova Olinda, Abaiara, Aurora, Baixio, Umari, Icó, Cedro, Iguatu, Iracema, Uruburetama, São Gonçalo do Amarante, Caucaia, Fortaleza, Aquiraz, Guiaúba, Mulungu, Uruburetama, Itapiúna, Quiterianópolis, Jucás, Cariús, Várzea Alegre, Lavras da Mangabeira, Ipaumirim, Caririaçu, Granjeiro e Barro.

Os dados foram extraídos do portal da Funceme às 8h13 desta segunda-feira (31). Eles são parciais, portanto, ainda podem sofrer alteração.

Chuvas bem distribuídas

Além do bom volume acumulado de forma geral no Estado, a pré-estação chuvosa foi bem distribuída em todas as regiões do Ceará. A espacialidade das precipitações é importante para garantir recarga em mais açudes e beneficiar a agricultura nas mais diversas localidades.

Em dezembro, apenas uma não acumulou o equivalente à média histórica, embora tenha ficado bem perto. A macrorregião do Litoral de Pecém registrou 16,6 mm de chuva, enquanto a normal climatológica é 16,8 mm, variação negativa de apenas 0,8%.

Já no mês de janeiro, todas as regiões tiveram índice acima da média, com destaque para o Maciço de Baturité, que obteve o maior índice e a maior variação em comparação a média histórica. Ao longo dos últimos 31 dias, choveu o acumulado a 228.6 milímetros na região, 138,4% acima da normal climatológica (95,6mm).

De acordo com Flaviano Fernandes, meteorologista do Inmet, “os sistemas atmosféricos que atuaram para ocorrer chuva no Ceará entre dezembro e janeiro foram o Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN), Oscilação de Madden-Julian e a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). Além dos Complexos Convectivos de Mesoescala (CCM)”.

Já o meteorologista da Funceme, Bruno Rodrigues, corrobora a explicação de Fernandes e acrescenta que, “entre a segunda metade de dezembro e a primeira quinzena de janeiro, houve episódios de Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) próximo ao sul do Nordeste do Brasil, que influenciaram na formação de áreas instabilidade sobre o estado, as quais ocasionaram chuvas em boa parte dos municípios cearenses”.

Já a partir da segunda quinzena de janeiro, completa o especialista, “as precipitações registradas estiveram associadas a presença do Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN). O posicionamento favorável desse sistema meteorológico, também auxiliou na formação de áreas de instabilidade sobre o estado, proporcionando chuvas em todas as macrorregiões”.

Além desses sistemas meteorológicos citados, alguns efeitos locais como temperatura, relevo e brisa marítima e terrestre, também contribuíram para chuvas.

“Salienta-se que as chuvas que ocorrem na pré-estação não têm ligação com as chuvas da quadra chuvosa. Isso se deve, preferencialmente ao fato de que os sistemas meteorológicos na estação chuvosa não são necessariamente os mesmos que atuam na pré-estação, já que o principal sistema meteorológico responsável pelas chuvas na estação chuvosa é a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT)”, finalizou Bruno Rodrigues.

Açudes cearenses

Diante dos bons índices, o quadro geral dos 155 reservatórios do Estado monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) teve sensível melhora. Neste ano de 2022, o aporte total acumulado nestes açudes soma a marca dos 272,8 milhões de metros cúbicos. O volume médio dos reservatórios monitorados pela Cogerh é, atualmente, de 21,44%.

Quem mais recebeu aporte foi o Castanhão (quase 50 milhões de m³), seguido pelo Araras (30 mi m³) e Orós (cerca de 20 mi m³). Quando considerado o volume total destes reservatórios, o aporte ainda não é tão significativo, mas, nos próximos 4 meses, com previsão de mais chuvas, o somatório aportado em cada mês pode ser expressivo.

Atualmente, dos 155 açudes, dois estão sangrando: o Germinal, na cidade de Palmácia e o Barragem do Batalhão, em Crateús. Já o reservatório Rosário, em Lavras da Mangabeira, ultrapassou a marca dos 90% de volume acumulado. Outros 69 estão com índice abaixo dos 30%, dentre os quais, 17 estão no volume morto, isto é, índice inferior a 5%.

Quadra chuvosa

Fim da pré-estação, início da quadra chuvosa. Começa hoje (dia 1º), o período (fevereiro-maio) de maior incidência de chuvas no Estado. A previsão para os próximos trimestre segue com boas perspectivas pluviometria acima da média. Segundo a Funceme, entre fevereiro a abril há 40% de probabilidade de chuvas acima da média, 40% em torno dela e 20% de chances de precipitações abaixo da normal climatológica.

Anda segundo o órgão, “o cenário esperado para os próximos meses se dá a partir da análise das condições atmosféricas e oceânicas e dos resultados de modelos numéricos de previsão”.

Em relação ao mesmo período do ano passado, acrescenta a Funceme, a atual previsão é mais otimista, já que, em 2021, a maior probabilidade era de precipitações abaixo da média, o que acabou se confirmando ao final do período de três meses.

 

Diário do Nordeste

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